Barra de Rolagem
 


Barra de Rolagem

Movida pela paixão, Marisa Vianna abandonou a tempo a frieza e a exatidão da Química e dedicou-se à busca de cores, de imagens, de focos e de luzes. Isto se deu em 1981, depois do nascimento de sua filha. Munida de máquina e de emoção, Marisa passou a registrar todos os momentos do bebê. Era o primeiro passo para o encontro definitivo com a fotografia. Uma carta da Kodak, recheada de elogios, veio confirmar o que ela própria já intuía: seu trabalho tinha qualidade e era preciso continuar.

E vários foram os faróis a lhe indicarem o caminho: num encontro casual com a fotógrafa Iêda Marques, Marisa foi confundida com uma fotógrafa profissional tal era a qualidade das fotos que exibia. Surpresa ao saber que a autora daquelas fotos era apenas uma amadora, Iêda indicou-lhe um curso profissionalizante que o Senac então promovia. O mesmo acontecia sempre que exibia suas fotos a Olavo, amigo de muitos anos. Este lhe dizia: "Só consigo vê-la como fotógrafa".

Diante desses insistentes sinais, Marisa parou para pensar. E lhe vieram à lembrança momentos pueris da infância passada no bucólico bairro do Monte Serrat, em Salvador, onde ficava horas a fio a admirar as nuances do céu, as cores e as luzes do alvorecer e do crepúsculo; a brincar de focar e desfocar fotos de livros e revistas, enquadrando-as e reenquadrando-as na busca dos melhores resultados, ainda que imaginários. Onde quer que fosse ou estivesse - na escola, na igreja, na praça, contemplando a natureza - a fotógrafa Marisa Vianna já existia, sempre existiu.

Daí a descobrir que a fotografia era o alimento da sua existência foi um pulo...

Do seu primeiro trabalho profissional, até hoje, Marisa Vianna cultiva a mesma paixão, que permanece há vinte e dois anos.

Exercitando essa paixão, Marisa Vianna desenvolveu grandes projetos, um desencadeando o outro. Da primeira exposição, Floresnossas, nasceu Caleidoscópio, uma explosão de cores e de imagens. Namorando nasceu do desejo da fotógrafa de registrar gestos de afeto e carinho entre casais. Salvador - Cidade da Bahia é a sua declaração de amor à cidade onde nasce e se criou. Do processo de produção desse projeto, que resultou no seu primeiro livro de mesmo nome, nasceu Postais, que vai mostrar a Salvador antiga, através da compilação de cartões postais, e que, também, resultará em um livro.

Paralelamente à exposição Salvador - Cidade da Bahia, que será exibida mundo afora, Marisa dedica-se a dois outros projetos: Candomblé, que vai retratar o estágio dessa religião no Brasil do século XXI, com todas as mudanças sofridas desde a sua chegada ao País, e Artesanato, que busca mostrar não só as peças, mas o cotidiano das comunidades, acompanhando as pessoas que se dedicam a esse trabalho, num processo não só fotográfico, mas profundamente antropológico.

Apaixonada pela paixão, Marisa Vianna também se dedica a fotografar eventos, e o faz com um estilo todo próprio e que a transformou em presença obrigatória em cerimônias que primam por um diferencial. Suas fotografias, com detalhes sutis, trazem a sua marca: a luz. O fio condutor do seu trabalho é e sempre será a dedicação envolta na emoção. A mesma emoção que é dar à luz um filho. Não é à toa que o poeta Damário Dacruz refere-se a Marisa Vinna não como fotógrafa, mas como fotográvida.
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